Segunda-feira, Junho 15, 2009

Exorcismo do caos





Escrever tem o dom de exorcizar fantasmas. Meu caos ainda não o coloquei na ordem escrita. Insiste em ficar no campo das abstrações, incomodando as ideias, atropelando o sono leve, teimando em me deixar desperta. Estou exigente demais ou com tempo de menos pra parar olhar pra ele e dizer: "Ei, diz o que quer agora ou me perturbe para sempre". Sim, porque ele fica lá, simplesmente permanece. Finjo não perceber. Vou me enganando, achando que não preciso escrever sobre o que está aqui dentro.

Vivo numa espécie de luto e de luta. Luto pela escrita. Não escrevo mais, não exorcizo mais fantasmas. Eles se acumulam. Luto para vencer esse round, ele ainda não acabou. Quem sabe minha luta tenha chegado ao fim? Escrevo, logo meu caos se faz ordem.

Quarta-feira, Julho 30, 2008

Vou por aí






Não me procure.

Perdida estou e sempre estarei.

Sempre que necessário for.

Já me perdi muitas vezes.

Por amor, desencanto, carência e solidão.

Saí por aí vagando em algum lugar de mim mesma

aonde tivesse referência de amor, ternura, carinho.

Fragmentos passados, vividos por outra que era eu,

mas não a que sou agora.

Nessas voltas encontrava a menina que ali deixei,

presa no passado.

Ela me trazia de volta, segurando minha mão.

Dizia pra mim; "solta os cabelos, sente o vento."

Meus cabelos, em desalinho, refletiam pensamentos

confusos, equivocados.

Tirei os sapatos. A grama úmida me fez sentir viva.

Corri com a menina no tapete verde-esperança.

Foi assim, brincando, que aprendi a não deixá-la fugir.

Ela tem muito a me ensinar.

Fica, menina Lena.

Sábado, Abril 26, 2008

Desconstruindo o homem perfeito





Mudei de cidade, casa, vida e casei novamente. Tudo isso, em pouco mais de um ano. Sim, só quem tem coragem de ser feliz se aventura a viver coisas novas.


Cresci ouvindo pra ter cuidado com isso, com aquilo, etc. Sou muito cheia de medos, de ressalvas, não gosto muito de me aventurar. Procuro certezas, mas se não me arrisco no universo do Talvez, como as terei? E assim vou vivendo.


Depois que me separei achei que não tinha mais lugar pra ninguém na minha vida, me enganei. Descobri que não tinha perdido a capacidade de amar, melhor ainda, descobri que a felicidade estava mais próxima do que eu pensava: aqui dentro, sempre. Devo essa capacidade a arte de saber perdoar. Se não fosse o perdão talvez não estivesse com a pessoa que estou agora e não seria tão feliz como sou hoje.


Tinha construído uma imagem do homem perfeito e nada podia destruir, ele destruiu. João desconstruiu a imagem do homem perfeito quando descobri sua traição logo no início do ano passado, quando ainda morávamos longe um do outro.


Doeu muito. Foi preciso acabar com a falsa imagem de perfeição e construir a relação possível entre adultos, baseada na honestidade, sinceridade, tolerância, paciência e perdão. Hoje tenho a real imagem do homem que está ao meu lado; com defeitos e qualidades, longe da perfeição utópica construída por uma mente delirante.



Reconhecer a humanidade, as falhas do outro, conhecer o que há de pior nele e, mesmo assim, aceitá-lo e amá-lo, é o começo da concretude do amor, o maduro.

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Sem fim





Nada te devo.

Nossa dívida foi quitada com a troca de erros.

Erros esses que custaram o abismo que nos separa.

Cujo o muro é a mágoa de mármore fria, dura que empedrou teu coração...

Cada história tem seu fim. A nossa acabou sem ponto, num intervalo eterno...




Terça-feira, Maio 22, 2007

Reflexões do absurdo


Queria diluir os momentos felizes em doses homeopáticas, assim garantiria a tão sonhada felicidade eterna... As vezes me pego pensando em absurdos como esse movida por um desejo irracional hedonista. Talvez esse seja o desejo natural do ser humano, talvez eu não seja tão estranha e diferente como penso.


Me assombra tudo que foge ao meu controle, como boa virginiana que sou. Adoraria fazer omelete sem quebrar os ovos, mas não posso. Logo percebo que os momentos difíceis vêm, mas passam. Tenho certeza. Sigo numa busca alucinante para que tudo se encaixe, milimetricamente, numa ergonomia descomunal.



Alguém conforta e diz: "vai passar, tenha calma". Calma, eu? Parece piada. A mulher mais ansiosa que conheço sou eu mesma, oras. Se tarda, perco a pouca paciência que tenho. Mas logo vem a senhora sensatez me avisar que "já deu". Cato os cacos de impaciência e monto o quebra-cabeça, nele está escrito A PACIÊNCIA É UMA VIRTUDE. Ué, quem disse que sou virtuosa??? Há quem diga que isso é um charme, vai saber...


Quarta-feira, Maio 16, 2007

A ti, João!







A cada dia que passa conquistas ainda mais (se é que isso é possível) o meu coração.

Em gestos concretos de amor, me dizes o que sentes. São frases eloqüentes gestualizadas, vividas, concretizadas.

Doses generosas de um amor que multiplica, não divide, ainda que reparta.

Acolhendo ao meu filho como se fosse teu, conquistastes minha admiração e respeito que irão juntos com a eternidade

das coisas que valem a pena na vida.

Te amo!!

Domingo, Maio 13, 2007

Amor pra sempre





"Antes de te conhecer, eu já te amava". Sempre comunguei com essas palavras de Santo Agostinho. Sempre tive poucas certezas na vida, uma delas era minha vocação máxima, a de ser mãe. Aos 27 anos minha maior preocupação não era carreira e sim a maternidade. Lembro que uma vez pensei até em "produção independente", ainda bem que não aderi à moda, que tive paciência para encontrar alguém especial para ter meu filho.

Fui mãe aos 29 anos. E soube (não me pergunte como) que tinha engravidado no "ato consumado". Coisa de louco mesmo. Senti uma energia entrar em mim, um arrepio de felicidade e não era pelo orgasmo... rsss

Uma semana depois, no Dia das Mães, quando chegava em casa e saía do carro, um mendigo me abordou. Um homem com lindos olhos azuis e um sorriso iluminado que lembro até hoje... Ele me trouxe galho cheio de rosas brancas e me deu dizendo: "Este presente é pelo seu dia". "Mas eu não sou mãe ainda", retruquei. Mas ele insistiu sorrindo: "É sim, aceite". Aceitei sem discutir.

Um mês depois que descobri que estava grávida, apesar do primeiro teste ter dado negativo. E não foi teste de farmácia, foi de sangue mesmo. Meu ex-marido disse que eu estava louca, mas eu disse que tinha certeza do que estava acontecendo comigo, como de fato, mais tarde a verdade veio à tona.

Ansiedade, medo de não dar conta de cuidar de alguém que iria depender exclusivamente de mim e de não ter como prover às suas necessidades. Estas eram minhas maiores preocupações. Aos quatro meses tive sangramento e início de aborto. Aí começou meu suplício. Minha médica foi clara: "dificilmente você vai conseguir segurar esse bebê no seu ventre. Só Deus pode fazer isso". Chorei horas e horas, tinha medo desta história de "entregar pra Deus". Achava que ao fazer isso, Ele me tiraria o filho e eu demonstraria fraqueza. Relutei, mas não tive outra alternativa, a não ser ter fé.

Foram 13 internações com trabalho de parto prematuro, cinco meses deitada na cama. Bebia água de canudinho. Dependi exclusivamente da boa vontade alheia, já que só levantava uma vez por dia para poder tomar banho. Sofri horrores. Fui humilhada por enfermeiras que já não agüentavam me ver no hospital. Meus braços viviam roxos, não tinha mais onde ser picada.

As pessoas quando me viam comentavam: "pobrezinha"... Mas eu estava firme, não me sentia coitada, vítima, era estranho... Tudo que eu pensava era: Graças a Deus que já passaram X dias e o meu filho continua comigo. E assim seguimos, eu e ele, lutando pela vida, para o tão sonhado dia do encontro. Após muito sofrimento e muita luta, dei a luz. O choro daquela criança só calou quando o médico o colocou próximo a mim. "Os bebês reconhecem a mãe pelo cheiro e pela voz", explicou o médico. O silêncio eloqüente daquele momento estava cheio de ternura, felicidade, realização. O amor que antes era palavra, agora estava diante de mim, e podia tocar. Minha única certeza hoje é que amor eterno tem nome e se chama João Pedro, aquele que deu significado à minha existência e me fez conhecer a eternidade do amor.
* Não tinha como escrever outro post. Minha luta para ser mãe foi bem mais real e forte que qualquer ficção que eu possa criar.