Quarta-feira, Novembro 09, 2011

O blefe da mulher moderna









Num mundo em que o comum são as mulheres ditas modernas, um paradoxo me chama atenção: Ainda tem muita mulher fazendo sexo sem preservativo. Isso é quase tão comum e banal quanto comer pão com manteiga. Afinal de contas, porque a mulher se arrisca tanto? É medo de "perder"  companheiro, irresponsabilidade, fraqueza, tolice? 

Seríamos mais felizes se compartilhássemos com nosso companheiro os medos e as coisas que não gostamos na hora do sexo. Porque temos que dizer sim se, na verdade, queremos dizer não? Até quando vamos continuar nos violentando em nome de sei lá o quê? Garanto, por experiência própria, que o homem vai te respeitar muito mais se você bancar seu não, seus gostos e afinidades. 


Não aceite qualquer coisa em troca de migalhas de atenção. Se o homem que está ao teu lado não te respeita, é porque ele não é HOMEM para você. E que tipo de mulher moderna é você que não dá conta de dizer: não, eu mereço mais!

Quarta-feira, Setembro 15, 2010

Poema Tácito









Nada falo.
Permaneço muda.
Minha mudez invade todos os espaços com uma voracidade devastadora.
O ruído do meu silêncio incomoda os tímpanos da tua alma.
De alguma forma me percebes.
Dissimulo pensamentos caóticos que permeiam meu mundo interno.
Nesse momento, meu estranho mundo é todo gris, da cor de dias chuvosos.
Nublada está minh'alma. Cercada por nuvens que distorcem imagens desconexas trazidas pela lembrança.
Nessa hora, minha dor dialoga com a chaga aberta,
suturando a ferida que teima em abrir.
E nesse diálogo entre dor e memória, meu caos se faz ordem.

Sexta-feira, Agosto 27, 2010

Fuga










Na aridez, teu gosto me vem à boca.
Tenho fome.
Lembranças viram refúgio seguro para me deixar ser quem sou.
Fecho os olhos.
Turbilhão de sentimentos e sensações me vêm à mente.
Meu corpo lembra do teu com fome quando sofre abstinência.
Quem sabe um dia não precise mais fugir para estar contigo na lembrança?
Minha fome é minha fuga.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Falácia







Tua boca nega o fato de me querer.
Desejo revela mentira estampada na íris quando me vês.
Teu corpo vibra quando ao meu lado estás.
Tens medo do meu senhorio.
Essa ideia assustadora perturba tua mente confusa.
Gato e rato é teu jogo predileto.
Serei caça ou caçadora?
Só depende de ti.
Paga pra ver!



Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Tratado rompido



Antes tivesse abafado a chama que nos ardia silenciosamente.
Ela ainda não tinha marcado com fogo nossa pele.
Talvez por ser apenas promessa de alegria do tão sonhado encontro.
A curiosidade insiste em tirar o foco deixando fora do lugar o que antes era ordem.
Turbilhão nos roubou a paz contida de sentimentos inverbalizados.
Tal como mágica, palavras transformaram-se em toques, gestos, carícias.
A língua não travou o fluxo de pensamentos que antes pertenciam apenas
ao mundo abstrato das fantasias e, portanto, não oferecia risco.
Agora, o encanto fora perdido, as fronteiras foram invadidas e o tratado rompido.
Estamos diante de um impasse: como calar o segredo que a pele insiste em delatar?


Ilustração: Pablo Picasso

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Abstinência





Na boca, teu gosto insiste.
O coração denuncia em batimentos sem fim
o fogo do corpo que arde de fome do teu.
A lembrança do teu toque ficou na memória da pele, qual tatuagem.
Rastro vermelho, caminho do percorrer de tuas mãos e boca em meu corpo.
A íris denuncia, num brilho, o desejo quando você passa, ainda que pela lembrança.
A boca, agora seca, sofre de sede dos teus beijos.
Duelam, neste momento, corpo e mente, abstinência e vício, razão e emoção.
Quem vencerá?

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Exorcismo do caos





Escrever tem o dom de exorcizar fantasmas. Meu caos ainda não o coloquei na ordem escrita. Insiste em ficar no campo das abstrações, incomodando as ideias, atropelando o sono leve, teimando em me deixar desperta. Estou exigente demais ou com tempo de menos pra parar olhar pra ele e dizer: "Ei, diz o que quer agora ou me perturbe para sempre". Sim, porque ele fica lá, simplesmente permanece. Finjo não perceber. Vou me enganando, achando que não preciso escrever sobre o que está aqui dentro.

Vivo numa espécie de luto e de luta. Luto pela escrita. Não escrevo mais, não exorcizo mais fantasmas. Eles se acumulam. Luto para vencer esse round, ele ainda não acabou. Quem sabe minha luta tenha chegado ao fim? Escrevo, logo meu caos se faz ordem.