
Mudei de cidade, casa, vida e casei novamente. Tudo isso, em pouco mais de um ano. Sim, só quem tem coragem de ser feliz se aventura a viver coisas novas.
Cresci ouvindo pra ter cuidado com isso, com aquilo, etc. Sou muito cheia de medos, de ressalvas, não gosto muito de me aventurar. Procuro certezas, mas se não me arrisco no universo do Talvez, como as terei? E assim vou vivendo.
Depois que me separei achei que não tinha mais lugar pra ninguém na minha vida, me enganei. Descobri que não tinha perdido a capacidade de amar, melhor ainda, descobri que a felicidade estava mais próxima do que eu pensava: aqui dentro, sempre. Devo essa capacidade a arte de saber perdoar. Se não fosse o perdão talvez não estivesse com a pessoa que estou agora e não seria tão feliz como sou hoje.
Tinha construído uma imagem do homem perfeito e nada podia destruir, ele destruiu. João desconstruiu a imagem do homem perfeito quando descobri sua traição logo no início do ano passado, quando ainda morávamos longe um do outro.
Doeu muito. Foi preciso acabar com a falsa imagem de perfeição e construir a relação possível entre adultos, baseada na honestidade, sinceridade, tolerância, paciência e perdão. Hoje tenho a real imagem do homem que está ao meu lado; com defeitos e qualidades, longe da perfeição utópica construída por uma mente delirante.
Reconhecer a humanidade, as falhas do outro, conhecer o que há de pior nele e, mesmo assim, aceitá-lo e amá-lo, é o começo da concretude do amor, o maduro.