Quinta-feira, Novembro 10, 2005

O despertar




Ela sabia o que queria, sempre soube. Teve momentos de descontrole, carência, mas sempre soube onde estava pisando. Desde que seu marido morrera, que não havia se apaixonado ou até se envolvido com mais ninguém. Estava sentindo falta de alguém para dividir o cotidiano, que a fizesse sorrir, que pudessem sair para jantar, falar um monte de coisa, ou apenas ficar em casa em silêncio.

Quando Sarah encontrou Arthur achou que tivesse conhecendo alguém realmente especial, como de fato foi. Ele era divertido, jovial, ardoroso, carinhoso, realmente mexia com ela. Não demorou muito para a carência, pior conselheira, soprar em seu ouvido sobre como ela devia ser mais “flexível”, não tomar muito as decisões na relação. E assim foi. Achou que devia abrir mão de ser ela mesma, pois tinha muita personalidade e as pessoas geralmente não aceitavam esse tipo de mulher.

Por três meses ela viveu a dualidade que a relação proporcionava. Um dia estava no céu, no outro sua vida era um inferno de insegurança, ciúme, desamor. Não se sentia valorizada, mas mesmo sem estar contente, foi levando a relação com Arthur achando que um dia tudo iria se resolver.

Estava num beco sem saída. Encontrava-se na rua da falta de amor próprio, esquina com a ilusão. Tinha medo de romper a relação que lhe fazia mal e sentir falta depois, afinal de contas, ele a supria de alguma forma. Depois de muito refletir, chegou à conclusão que só havia uma pessoa na vida que a aceitava como era, que sabia atender a seus desejos, era boa companhia e a amava como ninguém: Ela mesma.

Depois que alguém é amada da forma que ela foi pelo seu falecido marido, jamais vai se contentar com qualquer coisa menos que TODO O AMOR DO MUNDO.

Rompeu o relacionamento que lhe fazia mal, recuperou sua auto-estima e descobriu que não valia a pena deixar de ser quem era, ainda que fosse para agradar a quem amava. Entre a paixão que queimava e o amor próprio que se perdia, escolheu a segunda opção. Deixando para Arthur o que tinha de melhor: a amizade de uma mulher que se ama e sabe o que quer.



* Imagem: Marti Godi

17 comentários:

Vera Fróes disse...

Lena amiga, quando se entra numa relação o mínimo que uma mulher deve querer é continuar sendo ela mesma. Esse negócio de abrir mão de muita coisas para agradar o outro nunca deu certo.
Bom fim de semana. Bjos.

Ordisi Raluz disse...

Esta também me supreendeu, e muito!

Bom ver vc. escrevendo!

Beijão.

Luci disse...

Inteligente essa mulher, heim?!
Eu sempre digo que a pessoa mais importante da minha vida sou eu! Coisas de leão, narciso,etc. e tal...rs!
Adorei te ver lá no 100! Imagino que o tempo é curto pra tudo que vc. tem que fazer, mas saiba que vc. tb. não existe!
bjs!!!
ps: depois eu volto pra ver as fotos!

Lila disse...

Oi Lena! não podemos deixar de ser nós mesmos pra agradar ninguém! rs...fico feliz em saber que vc. está bem,apesar da saudades....mas logo isso se resolve não é mesmo? beijos e bom fim de semana!

Liliane disse...

Lena querida, bom vê que vc está aqui de novo. Não li o texto mas pelos comentários, penso diferente. Mudo sim ou melhor me adapto sim. A gente não adapta outras coisas?
Calor por aí?
Seu pai, recuperado?
Beijo, Liliane

Palpiteira disse...

É bom ser quem a gente é e que nos amem apesar disso. ;)
Beijão. Bom te ler!

Wilton disse...

Querida Lena, um texto muito interessante. A busca, ou melhor, um resgate de sua identidade, um olhar para o interior.O bom despertar, que não há o controle do tempo e sim da compreensão de sua importância.Um momento reflexivo. Beijos.

Lia Noronha disse...

Lena: as vezes é preciso abandonar-se...para se encontrar po inteiro.
Adorei a temática...bem pertinente nos dias atuais.

Bom fim de semana e beijos ao JP e a vc.

Laura disse...

lena, qto tempo... tudo bem?
mande noticias. bj laura

Palpiteira disse...

Oi, Lena. Domingo chato por aqui. Hehehe. Um pouco de sono, dor de cabeça e filme ruim na TV. Bé!
Mas o Jôka me deu mais um presente e me animei; um terninho azul bordado em ouro. Chiquíssimo! :D
Beijo, querida. Bom domingo.

Rodrigo Cardia disse...

Eu me amo! E a decisão dela de abrir mão da relação para manter sua individualidade foi a melhor. Pode ser que ela sinta falta de sexo, mas isso se resolve fácil fácil: basta que o Arthur se torne PA dela, hehehe... Beijos!

Jôka P. disse...

LENA !!!
tá difícil de abrir os comentários lá no Avenida Copacabana, é ?!
Que m#r*zd@ !!!! Que saco !!!
Mas enfim...você conseguiu deixar aquelas palavras sempre tão bacanas !!! Obrigado !
Ah, disse que me mandou um e-mail ... mas nunca recebi não, LENA !!!
jonaseduardo@openlink.com.br
Ao seu dispor !!!
Bom demais ver você !!!
:D
Bjs !
JÔKA P.

Lia Noronha disse...

Lena: estou no seu Estranho Mundo ..pra te desejar uma boa noite de Domingo e um início de semana maravilhoso.

Beijos carinhosos da amiga de sempre.

Gil Dantas disse...

Oi amiga mato-grossense ... hehehe Resolvi dá uma passada no seu blog. ;)Gostei desse ultimo post. O negocio é despertar .. renascer .. ser vc mesma!!!

Vera Fróes disse...

Lena, passando para desejar uma semana maravilhosa para vc, super produtiva.

Bjos.

Lena disse...

Vera, concordo que temos que ser mais nós mesmas, ainda que tenhamos que pagar um preço alto por isso.

Ordisi, vc foi gentil, esse conto não chega nem aos pés do que vc costuma escrever lá no teu blog, seu moço! rssss

Luci, amada, então ambas somos ilusão?? kkkkkk
Gosto muito de vc, menina. Um abraço!

Lila, saudade agora faz parte da minha rotina. Pelo menos dizem que só sentimos saudade do que foi bom, né? Espero o mais rápido possível estar outra vez com minha família reunida. Bjo, sócia!

Liliane, minha amiga, mudar é bom e faz parte da vida, mas no caso do texto, ela estava abrindo mão de ser ela mesma para agradar a outra pessoa... Ninguém merece produto falsificado e viver um personagem, não é mesmo?

Isso, minha amiga Palpiteira, o negócio é a gente se amar.

Wilton, vc é sempre uma presença marcante aqui no meu mundo, adoro suas análises...

Lia, vc disse tudo, acredito que às vezes é preciso mesmo que haja esse abandono para que nos encontrarmos e fazer uma nova história.

Laura, minha amiga, sumi mesmo, né?
Depois mando um e-mail contando as últimas, ok? Bjo e obrigada pela preocupação!

Rodrigo, que saída original, hein? Nem eu havia pensado nisso, boa idéia para minha personagem. Será que ele vai aceitar ser PA?? kkkk

Jôka, sem palavras para o carinho e o e-mail maravilhoso que vc me mandou, viu? Vc tem sempre as palavras certas para os momentos mais delicados, meu lindo. Bjo!

Gio, há quanto tempo, não? Vou retribuir a visita, pode crer! Gosto do que vc escreve. Bjo!

Carlinha... disse...

Gostei de Sarah. Mulher de personalidade, cônscia de suas vontades.