

Meu João Pedro foi passar as férias com os avós no RS, viajou hoje de madrugada. Fui levá-lo com o coração na mão, já tinha chorado horrores. Chegando no aeroporto, descemos do carro, tiramos a mala e, quando eu já ia pegá-la para levar até o guichê da companhia aérea, JP me disse:
- Pode deixar que eu levo a minha mala, mãe.
- Não, filho, deixa que a mamãe carrega para você.
- Eu consigo fazer isso sozinho.
E assim foi, firme, puxando a mala pesada. Olhava para aquele pingo de gente e me perguntava da onde que ele tirava tanta força, porque o guri é forte, corajoso e surpreendente. Devo confessar que estava torcendo para que ele fizesse uma cena, que gritasse alto e em bom tom: “quero ficar com a minha mãeeeeeeeeee”. Nada disso aconteceu. Pelo contrário, eu estava em frangalhos, enquanto meu menino me consolava dizendo “não precisa ficar assim, volto dia dois, não seja bobinha, mãe”.
Uma amiga disse para que eu confiasse na educação que dou a ele, que nada ia dar errado. Não acreditava que já tinha raiz a semente que eu havia plantado nele. Só descobri que meu filho é mais consciente do que imaginava hoje, quando o avô lhe entregou o bilhete da passagem em mãos e lhe disse que deveria ficar com ele. No momento em que isso aconteceu fiquei pasma, mas nada falei. Meu filho me olhou, eu disfarcei. Em seguida olhou para o avô e disse:
- Vô, guarda no seu bolso, isso deve ficar com você.
Eu, toda orgulhosa, relaxei perante a atitude do guri, que teve muita presença de espírito para discernir que aquilo não deveria ficar com ele. Tranqüila, lembrei do que a Rocca havia falado. Amiga, você tinha razão, meu filho captou as coisas que eu ensino todos os dias a ele.
Quando ele entrou para a sala de embarque, nos abraçamos e, naquele momento, me apertou forte e foi o meu menino de sempre: carinhoso, apegado a mim. Mas vi que João Pedro é menino do mundo, não vou poder guardá-lo comigo, a independência dele é mais forte que o nosso amor. Bom saber que meu filho me ama, mas que saberá fazer seu caminho, me orgulho disso. Estou triste pela ausência, mas paradoxalmente, feliz por tudo que vi hoje. Só tenho a agradecer!