Fuga
Na aridez, teu gosto me vem à boca.
Tenho fome.
Lembranças viram refúgio seguro para me deixar ser quem sou.
Fecho os olhos.
Turbilhão de sentimentos e sensações me vêm à mente.
Meu corpo lembra do teu com fome quando sofre abstinência.
Quem sabe um dia não precise mais fugir para estar contigo na lembrança?
Minha fome é minha fuga.

2 comentários:
O bom da poesia é que ela faz imaginar o que talvez o autor nem tenha pensado. Você está no milho e o leitor na pamonha. "Na aridez, teu gosto me vem à boca" não me lembra beijo e tenho certeza que você trata disso. A singeleza feminina se faz presente...
Gostei do "Lembranças viram refúgio seguro para me deixar ser quem sou." Me faz pensar que toda história deixa marcas e que fatos presentes sempre são relevados por tudo o que já houve.
Os últimos versos passam a idéia de uma amante que, apenas ocasionalmente, encontra o outro (casado?).
Tirando da estrutura do verso:
"Quem sabe um dia não precise mais fugir para estar contigo na lembrança? Minha fome é minha fuga".
São encontros fortuitos alimentados pela recordação. Bonito.
Lindo! a poesia me faz sentir amor.
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